O brincar é a principal atividade da infância, Vigotski reforça que é por meio dele que a criança cria significados, internaliza experiências e desenvolve funções psicológicas superiores, como atenção, memória, linguagem e imaginação. Ao brincar, a criança não apenas reproduz o mundo, ela o recria, reorganizando experiências e construindo novas formas de compreender a realidade. É no brincar que surgem as primeiras iniciativas de autonomia, a capacidade de planejar ações e a habilidade de lidar com regras e limites.

Na perspectiva da Integração Sensorial, Jean Ayres explica que o brincar é essencial para que a criança processe informações sensoriais do corpo e do ambiente, organizando-as de maneira eficiente para agir no mundo. Ao realizar movimentos, manipular objetos, pular, correr, equilibrar-se, sentir texturas e experimentar diferentes estímulos, a criança fortalece conexões neurais fundamentais para atenção, coordenação, aprendizagem e regulação emocional. Ou seja, brincar não é um passatempo: é uma necessidade neurológica que estrutura o desenvolvimento global.

 

Entre 0 e 6 anos, os benefícios do brincar são ainda mais evidentes: funções motoras, emocionais, cognitivas e sociais se desenvolvem em ritmo acelerado. Quando oferecemos brinquedos, espaços e oportunidades de brincar de forma intencional e afetiva, possibilitamos que a criança amplie suas habilidades, construa vínculos, elabore emoções, descubra suas capacidades e se torne protagonista do próprio desenvolvimento. Brincar é crescer, expressar-se e existir com plenitude.