Criar vínculo é mais do que estabelecer uma relação funcional. É um processo de conexão e identificação, em que a criança começa a perceber o outro para além do que ele aparenta ser. No vínculo verdadeiro, a criança não é reduzida ao seu comportamento, ao seu diagnóstico ou àquilo que ainda não consegue fazer. Ela é vista como sujeito, com história, desejos, tempos e formas próprias de estar no mundo. É nesse espaço relacional que a criança se permite existir com mais inteireza, porque percebe que está sendo olhada com curiosidade, respeito e presença.
Quando o vínculo acontece, o outro deixa de ser apenas um adulto que conduz atividades e passa a ser um parceiro de relação e de brincadeira. Terapeutas e professores não ocupam um lugar de controle, mas de mediação. Somos mediadores do mundo das crianças: organizamos experiências, apresentamos possibilidades, ajudamos a traduzir o que ainda não pode ser dito em palavras. Nesse processo, a criança também nos lê. Ela percebe se é acolhida, se é escutada, se pode confiar. E essa leitura influencia diretamente sua disponibilidade para aprender, brincar e se relacionar.
É a partir dessa identificação que surgem encontros verdadeiros. Quando a criança consegue olhar para o outro, seja um adulto ou um novo amigo, como alguém com quem vale a pena se relacionar, o vínculo cria raízes. O jogo Conhecendo um Amigo nasce exatamente desse lugar: como um convite ao encontro, à escuta e à construção de relações que respeitam o tempo, a singularidade e a forma de cada criança estar no mundo. Porque só quando o vínculo se estabelece, o aprendizado deixa de ser imposto e passa a ser vivido.
